Ultimatum - Entre a vertigem e a invenção
Assistir a Ultimatum , último texto de Domingos de Oliveira, desperta uma expectativa que vai além da simples curiosidade diante de uma nova montagem. Há autores cuja obra carrega uma assinatura tão particular que o espectador ingressa na sala já predisposto a encontrar algo que desafie o convencional. Foi exatamente essa sensação que acompanhou o retorno à arena do Teatro SESC Copacabana, espaço que, por si só, já parece convidar a uma relação mais direta entre cena e plateia. A surpresa começou antes mesmo do espetáculo. A memória de uma arena austera e despojada deu lugar a um ambiente acolhedor, cuidadosamente tratado em termos acústicos e visuais, onde a disposição do público em torno da cena reforça uma sensação de proximidade raramente alcançada nas salas convencionais. As luzes se apagam e logo fica evidente que Ultimatum não pretende conduzir o espectador por um caminho de compreensão imediata. Domingos de Oliveira parece abandonar qualquer preocupação com estruturas ...

