Dora, a vida por inventário
Os primeiros contatos com Grace Gianoukas aconteceram pelos DVDs da Terça Insana , quando a atriz ainda transitava por palcos alternativos das noites paulistanas, sozinha ou acompanhada, construindo um humor crítico, ácido e irreverente, com alguma coisa de Dercy Gonçalves, um pouco mais recatada, mas igualmente capaz de transformar situações banais do cotidiano em matéria-prima para o riso. Havia as caras e bocas, a gestualidade, a espontaneidade dos textos e, sobretudo, aquelas frases que nem sempre chegavam a ser bordões, mas que se incorporavam à memória e reapareciam, tempos depois, em conversas e situações da vida real, como se pedissem para ser resgatadas. Vieram os DVDs, as apresentações em teatros maiores, a televisão, as novelas e uma trajetória que ampliou sua presença sem jamais exigir dela o abandono daquilo que a tornou reconhecível. Grace pode estar em diferentes personagens, em diferentes palcos e diante de diferentes públicos, mas há algo em sua voz, em s...
